quinta-feira, 30 de abril de 2009

Queima...é assim hoje foi assim há cinco anos.


No fundinho de uma caixa encontrei o meu livro de caloira que apesar de nunca o ter lido esteve la guardado durante cinco anos para hoje eu descobrir porque é que dizer adeus é tão dificil...E o que vou transcrever (porque nem eu sabia definir melhor) faz parte deste tal livrinho que conta a história de quem por lá passou também...

"Passa-se em Maio um pouco por todo o país.Peregrinos acorrem em busca de um lugar de reflecção mas não é bem disto que vamos falar!Há algumas pessoas que fazem anos..Ah?Não..parece que também não é isto..ah sim..lá está, aliás lá estou!Nunca me lembro do que se passou no recinto da Feira Popular nos últimos maios da nossa vida...Todos lá estivemos, mas nunca ninguém se lembra ao certo.É um mal geral que acomete todos os estudantes do ensino superior!Daí ser um lugar místico...até sagrado!O que se passa ao certo é que a nossa vida se altera, como se fosse iodo guardado num frasco trasparente. As noites são dias e os dias são noites. A faculdade pára. Só o transito matinal continua. As intermináveis viagens no 78 às nove ou dez da manhã. A cerveja que mais parece água, a água da chuva que mais parece cerveja. E a nostalgia invade-nos quando revemos as imagens desfocadas do palco ao fundo, da, sempre tão longe barraca do INEM, do Avestruger, do Psicológico, daquela mais valia que é a barraca de Farmácia...sempre linda!..e dá borlas!

Tudo começa quando o adro da Sé Catedral se enche de estudantes envolta de capas negras e batinas. Fitas e coros esvoaçantes. E é aqui que acontece a Monumental Serenata da Queima. É um momento único na vida académica e poucos são os que não recordam a sua primeira serenata, e poucos são os que não choram na sua última.

Aparentemente o maior inimigo desta serenata é o dia da mãe, que calha sempre exactamente no dia a seguir. Não há nada como antecipá-lo uma semana mesmo para quem se esqueceu do aniversário materno no último ano.

E a isto seguem-se noites em fim. Nesta altura rogam-se pragas aos copos a mais que se beberam na noite anterior, quando se chega no domingo à Missa da Benção das Pastas, de directa! Ou então quando depois do almoço passas uma tarde inteira na Imposição de Insígnias. Normalmente é uma animação quase tão potente como as noites de tiroteio no Kremlin!! Também nunca se falta ao Cortejo que se realiza na terça feira dessa semana! Milhares de estudantes nas ruas do Porto a gritar cada um mais alto do que o tipo do lado por Farmácia e pelo roxo. E já é comum entre nós tomar Mebocaína com cerveja. Ai a nostalgia...

Cada noite é uma noite nova, em que todos se conhecem porque o recinto da queima é um local onde não há espaço para intolerâncias. Praticamente tudo é permitido. É um local onde se praticam desportos como o "levantamento do vidro", o "esvaziamento do copo", o "estou à procura do meu amigo que tem as chaves de casa mas não faz a miníma ideia de como lá chegar", etc,etc,etc. E estas noites prolongam-se durante toda a primeira semana de maio, de sábado a sábado. O melhor mesmo é não faltar aos treinos nas festas da nossa faculdade, nos rallys das tascas, e outras tantas que são sempre um grande treino para o fígado!

Para finalizar conselhos de quem já passou por muitas queimas: nunca ir para o recinto sozinho correndo o risco de acordar lá por baixo perdido, sem saber quem somos, o que fazemos ali e o que fariam os nossos pais se nos vissem naquela figura. É também de salientar que sabe bem beber uma cerveja fresquinha ao acordar, em nossas casas, ou nas casas de quem nos descalçou as botas..."

1 comentário:

  1. Viva as queimas, viva o seu ambiente, viva os amigos que lá se arranjam, viva tudo o que envolve este espirito maravilhoso... sempre...!!!

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