
sábado, 3 de outubro de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Queima...é assim hoje foi assim há cinco anos.
No fundinho de uma caixa encontrei o meu livro de caloira que apesar de nunca o ter lido esteve la guardado durante cinco anos para hoje eu descobrir porque é que dizer adeus é tão dificil...E o que vou transcrever (porque nem eu sabia definir melhor) faz parte deste tal livrinho que conta a história de quem por lá passou também...
"Passa-se em Maio um pouco por todo o país.Peregrinos acorrem em busca de um lugar de reflecção mas não é bem disto que vamos falar!Há algumas pessoas que fazem anos..Ah?Não..parece que também não é isto..ah sim..lá está, aliás lá estou!Nunca me lembro do que se passou no recinto da Feira Popular nos últimos maios da nossa vida...Todos lá estivemos, mas nunca ninguém se lembra ao certo.É um mal geral que acomete todos os estudantes do ensino superior!Daí ser um lugar místico...até sagrado!O que se passa ao certo é que a nossa vida se altera, como se fosse iodo guardado num frasco trasparente. As noites são dias e os dias são noites. A faculdade pára. Só o transito matinal continua. As intermináveis viagens no 78 às nove ou dez da manhã. A cerveja que mais parece água, a água da chuva que mais parece cerveja. E a nostalgia invade-nos quando revemos as imagens desfocadas do palco ao fundo, da, sempre tão longe barraca do INEM, do Avestruger, do Psicológico, daquela mais valia que é a barraca de Farmácia...sempre linda!..e dá borlas!
Tudo começa quando o adro da Sé Catedral se enche de estudantes envolta de capas negras e batinas. Fitas e coros esvoaçantes. E é aqui que acontece a Monumental Serenata da Queima. É um momento único na vida académica e poucos são os que não recordam a sua primeira serenata, e poucos são os que não choram na sua última.
Aparentemente o maior inimigo desta serenata é o dia da mãe, que calha sempre exactamente no dia a seguir. Não há nada como antecipá-lo uma semana mesmo para quem se esqueceu do aniversário materno no último ano.
E a isto seguem-se noites em fim. Nesta altura rogam-se pragas aos copos a mais que se beberam na noite anterior, quando se chega no domingo à Missa da Benção das Pastas, de directa! Ou então quando depois do almoço passas uma tarde inteira na Imposição de Insígnias. Normalmente é uma animação quase tão potente como as noites de tiroteio no Kremlin!! Também nunca se falta ao Cortejo que se realiza na terça feira dessa semana! Milhares de estudantes nas ruas do Porto a gritar cada um mais alto do que o tipo do lado por Farmácia e pelo roxo. E já é comum entre nós tomar Mebocaína com cerveja. Ai a nostalgia...
Cada noite é uma noite nova, em que todos se conhecem porque o recinto da queima é um local onde não há espaço para intolerâncias. Praticamente tudo é permitido. É um local onde se praticam desportos como o "levantamento do vidro", o "esvaziamento do copo", o "estou à procura do meu amigo que tem as chaves de casa mas não faz a miníma ideia de como lá chegar", etc,etc,etc. E estas noites prolongam-se durante toda a primeira semana de maio, de sábado a sábado. O melhor mesmo é não faltar aos treinos nas festas da nossa faculdade, nos rallys das tascas, e outras tantas que são sempre um grande treino para o fígado!
Para finalizar conselhos de quem já passou por muitas queimas: nunca ir para o recinto sozinho correndo o risco de acordar lá por baixo perdido, sem saber quem somos, o que fazemos ali e o que fariam os nossos pais se nos vissem naquela figura. É também de salientar que sabe bem beber uma cerveja fresquinha ao acordar, em nossas casas, ou nas casas de quem nos descalçou as botas..."
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Venice
Foi há exactamente um ano que chegamos a Veneza, numa tarde de nevoeiro, de mochila ás costas e um mapa de caminhos estreitos. Não tinhamos nenhum diário de bordo, que seria sem dúvida uma mais valia nestes momentos em que tentamos recordar com pormenor...a Carla a ter um ataque de pânico porque o avião não descolava (de uma forma poética, era porque o céu estava a chorar), a mala da Catarina, qual semelhante carregamento de sumos e sandes que quase dava para alimentar um país do submundo, e que por muito pouco não nos fez perder vários comboios, a aposta da Rita na rainha das gôndolas (e à conta disso andámos o resto da semana a comer pão com paté...obrigado Rita!), e aquela última e derradeira visita ao Sforza que nos fez percorrer o caminho até ao metro em forma de meia maratona, graças a sede cultural da Ana. Quanto a mim, bom eu ganhei o primeiro lugar na ida à casa de banho num momento de aperto conjunto! Posso dizer que foi um grande momento com direito a foto a segurar no papelinho que tinha escrito o número um. Foi assim há um ano e será assim por quanto tempo nós quisermos. As palavras, os recantos e as ruelas, as cores e as sonoridades, as histórias e os segredos, os sorrisos e os suspiros, e o mais que se não diz e o menos que se não cala (só com uma verdinha!). Assim se escreve a nossa viagem, efémera no tempo, mas perpétua na nossa memória. E à distância de um gesto, hoje, um bocadinho de cada uma de nós fez o relógio andar para trás e regressar ao aeroporto, onde tudo começou.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Os meninos de ninguém

Ninguém é de nada, e nada é de ninguém. São assim que se constroem "famílias" condenadas pela sociedade que as discrimina, que lhes dá um tecto falso, que se encarrega de formar ou não os meninos que ninguém quis. Todos nós somos culpados por virarmos a cara, sem nenhum pudor, por banalizarmos os contextos, os excertos das histórias que vamos ouvindo aqui e ali, que comentamos em conversas de café, mas que não nos pertencem e por isso vamos deixando para trás ao virar de cada esquina. E entre narizes sujos e dentes que faltam, suspiros calados e vozes inaudíveis, numa mistura de solidão, revolta e mágoa por serem só mais um entre muitos, às vezes consegue notar-se a alegria pelo carinho voluntário dos que por ali vão passando, dos funcionários, dos professores, dos estranhos que se entranham e desentrenham, que vão estando sem estar, que são pontos numa vida que tem tanto de diferente como de igual à de qualquer um de nós. Mas estes abrigos contam histórias que não caberiam numa caixinha de más memórias, inscrevem cenas de violência omitidas, abandonos e maus tratos, que acabam por desenhar personalidades de introspecção e desconfiança, instáveis e fantasiosas. O primeiro passo para a marginalidade, o segundo passo para a escuridão, o terceiro para a fragilidade, o quarto, o quinto, o sexto, mil passos para a exclusão. São assim estes meninos que nasceram num mundo a preto e branco, os meninos dos olhos tristes e que nunca aprenderam a sorrir.
Capas Negras de Saudade
Há um coração que palpita sempre mais do que os outros, que percorre caminhos incertos e destemidos, que se esconde por detrás do medo e da irreflexão, que atravessa linhas ténues de paixões e promessas perdidas no tempo. Quando somos estudantes não há amor nem há dor, porque tudo nasce e morre no mesmo instante como um relâmpago que cruza sem avisar o céu inteiro. Porque nós estudantes estamos protegidos por uma capa de irreverência, que se rasga com o tempo. É como se conseguisemos eternizar os olhares, os lugares, as pandeiretas e as fitas e levá-los conosco para o mundo em que não queremos entrar. Não há regresso ao passado, às festas que acabavam com o nascer do sol, às caras que eram sempre as mesmas no bar da faculdade, às noites de estudo com livros de mil páginas, às serenatas que nos cantavam e encantavam com a "Madalena". E então pensamos já com um certo tom de saudade e nostalgia que podiamos ter aproveitado até ao limite todos os minutos, horas ou segundos deste tempo que não vai voltar. Às vezes o Porto parava para nos ver passar, cheios daquela energia que só nós é que temos, com capas negras e t-shirts roxas, e quando desciamos os clérigos a correr era como se o mundo começasse a girar ao contrário e nós deixavamo-nos levar com ele. Mas como em quase tudo na vida, como tudo o que começa e acaba, como no jardim de infância: entramos e saimos a chorar...
E afinal quando olharmos para trás ficou aqui um bocadinho de nós.
sábado, 24 de janeiro de 2009
O "nosso" Piano
Quando era pequena tinha aulas de piano com uma senhora que comia maçã ao mesmo tempo que me olhava de cima a baixo como se eu fosse uma vespa venenosa. Um atentado à música. Daquela sala do Conservatório havia uma janelinha que dava para um mundo distante, porque ao mesmo tempo que os pássaros voavam do lado de fora, nós tinhamos que ouvir Bach e Chopin sem sequer conhecer a sua essência porque isso é daquelas coisas que "nós" já nasciamos a gostar porque éramos os meninos que tinham a sorte ou o azar de ter de viver o que estava imposto à partida por uma sociedade que se acha diferente dos restantes mortais. E nós não podiamos correr atrás dos pássaros porque eles têm asas e nós não, e por isso é impossível apanhá-los. E assim crescemos num meio que nos disseram ser o nosso, e aqueles amigos, que são os mesmos até hoje, provavelmente também eles tiveram aulas de música, ballet e francês e tantas outras coisas que nos impingiram só porque sim. Agora que olho para trás percebo que esta vida involuntária é a mesma que existe hoje e que existirá para toda a vida porque estamos condenados a ser o que os outros querem que nós sejamos, porque afinal de contas também é isso que queremos ser, e é isso que vamos querer que os que hão-de vir sejam. Porque há vidas que são um ciclo, e estarão para sempre condenadas a sê-lo. Não vale a pena esperar por aquilo que nunca há-de vir, porque nada será diferente amanhã. Estaremos sempre rodeados do mesmo tipo de pessoas, que vivem num tempo igual ao nosso, num mundo que é real ou imaginário, mas que é o único que conhecemos.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Os Livros
Os livros são assim, brancos e vazios de vida, cheios de histórias que não existem e tentam dar-nos a ilusão de que somos como as personagens inacabadas. Se escrevo é para poder ser aquilo que não sou, se não escrevo não sou ningém. E ninguém é de nada, como um livro branco, ou uma tela vazia, ou uma página sem palavras. É uma travessia solitária. Um dia os livros serão nossos e quando a história acabar vai para a prateleira como as histórias de amor que vivemos e que guardamos de uma forma que o tempo não apaga. Deve ser por isso que o livro que me deste continua aqui ao meu lado, fechado para sempre, mas aqui. A porta fechou-se por detrás de um mundo que ficou por descobrir, que mergulhou num caos intenso. Às vezes é difícil escolher o caminho, mas quando nos apercebemos há uma porta à nossa frente que se abre e nos convida a entrar. Como a outra, também esta um dia está condenada a fechar-se, e mil portas se abrem e fecham, como as da infância, como as da adolescência, como as da vida. Escrevemos para resgatar aquilo que sabemos perdido para sempre, para tentar abrir portas trancadas, para descobrir porque é que um dia vivemos num mundo igual ao das histórias. Mas não vale a pena pensar, não vale a pena sentir, não vale a pena saltar de porta em porta porque a vida é tão vazia como a que ficou para trás e é cheia daquilo que não existe a frente. Sempre que o tempo se acaba percebemos que afinal tudo tem um significado, para os que ficam e para os que vão. Quando o tempo se acabar teremos saudades das histórias que nos contavam quando éramos crianças, teremos saudades das que vivemos quando éramos adolescentes, e teremos saudades das que o tempo nos roubou. Mas tudo tem um fim, até para as histórias de mim.
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