Há um coração que palpita sempre mais do que os outros, que percorre caminhos incertos e destemidos, que se esconde por detrás do medo e da irreflexão, que atravessa linhas ténues de paixões e promessas perdidas no tempo. Quando somos estudantes não há amor nem há dor, porque tudo nasce e morre no mesmo instante como um relâmpago que cruza sem avisar o céu inteiro. Porque nós estudantes estamos protegidos por uma capa de irreverência, que se rasga com o tempo. É como se conseguisemos eternizar os olhares, os lugares, as pandeiretas e as fitas e levá-los conosco para o mundo em que não queremos entrar. Não há regresso ao passado, às festas que acabavam com o nascer do sol, às caras que eram sempre as mesmas no bar da faculdade, às noites de estudo com livros de mil páginas, às serenatas que nos cantavam e encantavam com a "Madalena". E então pensamos já com um certo tom de saudade e nostalgia que podiamos ter aproveitado até ao limite todos os minutos, horas ou segundos deste tempo que não vai voltar. Às vezes o Porto parava para nos ver passar, cheios daquela energia que só nós é que temos, com capas negras e t-shirts roxas, e quando desciamos os clérigos a correr era como se o mundo começasse a girar ao contrário e nós deixavamo-nos levar com ele. Mas como em quase tudo na vida, como tudo o que começa e acaba, como no jardim de infância: entramos e saimos a chorar...
E afinal quando olharmos para trás ficou aqui um bocadinho de nós.
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